Ilustração de Etiene Spack.ISSN 1983-9561
Juliette Revista de Cinema foi lançada em 19 de junho de 2008, em Curitiba (PR). Desde então, até novembro de 2009, foram 14 edições impressas, distribuídas em sete capitais brasileiras. Nesse período, contei com a colaboração de Eduardo Baggio (até a edição 007) e Rafael Urban (até a edição 011) como coeditores. Na equipe de redação houve a presença de Isadora Rupp, Mariana Sanchez e Marden Machado, em períodos diversos, além dos inúmeros colaboradores que contribuíram com suas críticas. Murilo Wesolowicz acompanhou de pertíssimo o desenvolvimento da revista como crítico, diretor de arte e diagramador. Houve uma participação rápida e muito especial de Lucía Alvarez, responsável pela arte visual da revista nas duas primeiras edições (000 e 001), fundamental para dar a Juliette a imagem do que era, inicialmente, um conceito.
Durante esse período, muitas inquietações: unidade editorial, criação das seções, estilo de texto, periodicidade dos colaboradores, imagem gráfica etc., e, ainda, patrocinadores e público. Em meio a tantas questões, a revista formou-se espontaneamente em diálogo com os leitores e pela vontade dos seus críticos. Por um lado, há os que a acusaram de “desfigurada”, ou seja, sem uma identidade de textos críticos; para os menos aristotélicos, essa independência de cada crítico expressar-se sem necessariamente seguir a ideologia da editoria era uma possibilidade de diálogo direto com os textos. As questões financeiras definiram, em parte, sua apresentação visual (desde a n° 000 em serigrafia até a passagem para o papel couchê liso e impressão em gráfica, a partir da edição n° 007) e, mais recentemente, sua migração do papel para a Internet.
Em 29 de janeiro de 2010, a revista tornou-se eletrônica, mantendo a mesma concepção da impressa: as seções vieram adaptadas, com nomes diferentes, porém mantiveram-se os colaboradores – fixos e “visitantes”. A divisão por seções foi bastante didática: Primeiro Plano para lançamentos e filmes mais atuais, além de artigos temáticos; Vestígios para as obras clássicas e, paradoxalmente, as pouco conhecidas; Câmera Lúcida para entrevistas e perfis de realizadores; Sessão Corrida para notícias e curiosidades.
Entretanto, a não periodicidade de publicação – antes mensal – tornou mais fragmentada a relação com os colaboradores, dificultando um olhar de conjunto da revista em relação aos críticos que a compunham, não necessariamente aos temas apresentados. Se, na revista impressa, havia um conjunto específico de críticos para uma edição – o que era variável para a próxima –, no site esse conjunto nunca se forma. Ou ainda, conjuntos formam-se e desformam-se todo o tempo, mas sem a possibilidade de visualização pelo leitor, ou mesmo pelos colaboradores, o que torna inócua a questão.
Desse modo, desde 29 de maio, venho priorizando a atenção aos meus textos, sem deixar de receber textos de colaboradores, cujo trabalho aprecio – mesmo quando não concordamos a respeito do conteúdo –, para manter a diversidade e a troca de ideias, motivação inicial para uma revista que não se pretende ideológica, mas deseja preservar a boa qualidade da argumentação.
Josiane OrvatichDezembro, 2010.